Quando a festa acaba… Sobra o medo!

Quando a festa acaba…
Sobra o medo!

Isso mesmo, o título se refere a muitos tipos de festas que vivemos em nossas vidas.

No mercado das agências de comunicação houve a imperiosa, necessária e inevitável transformação de valor da criação para o valor da negociação da mídia.

A criação, antes fator único e motivador para a aprovação de um comercial ou peça publicitária qualquer pelos clientes, deu lugar a uma criação “embutida” em um orçamento a cada ano menor e muitas vezes extremamente limitador.

Realmente os saudosistas lembram do tempo em que publicidade era um tipo de arte, como tempo de festa, de humor, de reconhecimento, de orgulho pela criação e pela produção esmerada. Hoje, exige-se o mesmo, com 30% do valor de antigamente, em dólar.

O mercado se consolida a cada dia e as pequenas e médias agências (principalmente essas) estão sendo extinguidas ou reduzidas a um business de sobrevivência, apenas isso.

O quadro se agrava quando olhamos a faixa etária um pouco mais alta, acima dos cinquenta anos, e encontramos centenas de grandes profissionais, a maioria não tendo conseguido riqueza, apenas mantendo um relativo bom padrão de vida, e que hoje se dá conta que a festa acabou.  Seu padrão e seu futuro também.

Sem falarmos de todas as outras festas como carnaval de rua sem risco, sem violência, o mesmo se aplica ao futebol, aos fins de semana em chalés na praia com carona na estrada etc…

É muito triste e assustador, mas nunca inesperado pois a história do ser humano é de revoluções e mudanças sociais, culturais, espirituais etc… É o moderno dando lugar ao “antigo” o tempo todo, a tecnologia criando novos campos e matando outros. É a mentalidade que cria e recria novos ambientes de trabalho e novas arenas de batalha pela sobrevivência.  Para quem parou no tempo sobra o medo.

É cruel e sempre será para os que foram reacionários e lutaram contra a evolução ou mudança, para os que jamais quiseram sair da zona de conforto e continuaram como sempre foram, e aí, sobra o medo.

Existe saída? Não sei. Obviamente para os acima dos 50 a dificuldade é maior por todos os motivos conhecidos; estilo, mentalidade, domínio da novas técnicas e tecnologias, identificação do contexto e sua inclusão no contexto etc…

Texto derrotista? Jamais! Apenas texto real para que o reconhecimento e aceitação da realidade sirva como conscientização e munição para uma nova postura, coragem e luta.

É cruel, mas quando a festa acaba, sobra o medo.