A dimensão do sofrimento é proporcional ao grau de lucidez

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A dimensão do sofrimento é
proporcional ao grau de lucidez


Mais um dia comum na agência. Chego às 8h30, passo pela recepção, digo bom dia e cruzo o salão, já com alguns colaboradores na ativa. Ligo o computador, não para ler e-mails, pois esses já li antes de sair de casa, e já despachei também. Olho para minha sala, leio o check-list e continuo o dia que começou em casa.

Meus sócios estão a toda, um chega sempre às 6h ― é louco! ―, e o outro, enfurnado nesse monte de burocracia fiscal, bancária, trabalhista do burro sistema brasileiro ― também é louco.

Olho pela janela e vejo centenas, quase milhares de jovens, com suas mochilas nas costas, como um grande “exército de tartarugas ninjas” saindo do trem e andando pela Vila Olímpia em direção ao trabalho. Eles lotam as calçadas, os cruzamentos, é difícil até entrar com  os carros nos estacionamentos  dos prédios, tamanho tsunami de trabalhadores.

Dezenas de especialidades, treinamentos, conhecimentos e talentos diferentes rumo a suas empresas, mas com algo em comum: o sonho de progredir. O ideal de construção de uma carreira, uma família, filhos, propriedade, felicidade, estabilidade, velhice segura etc.

São jovens, em sua grande maioria. É o futuro de nosso país andando ali embaixo. Posso vê-los pela janela de minha sala; e penso: como será que eles estão se sentindo como brasileiros? Nada de partido, nada de política, nada de legislativo, de executivo, de cargo, seja ele qual for, estou me referindo a ser brasileiro, ter uma nação, orgulho de ser. Apenas isso ― orgulho de ser. 

Consigo parar alguns minutos, antes dos leões que vou matar hoje, e refletir: as vezes é melhor a inconsciência, pois o tamanho do sofrimento é proporcional ao grau da lucidez.

Por outro lado, não podemos adotar uma postura Poliana, temos que lutar, lutar e lutar, juntos, todos os brasileiros, sem partidos, mas como um país, e por um país.

Vamos colocar lucidez  aos inconscientes, ampliar ainda mais a resiliência de nossa mente e corpos, e jamais perder nossos sonhos.

Levantem as cabeças, brasileiros! Nós não somos esses canalhas!

Pronto, desabafei, agora vamos aos leões. Bom dia! VIVA O BRASIL.